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2003

O lançamento do motor flex e os altos e baixos da indústria da cana-de-açúcar

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Inauguração do carro Gol 1.6 Total Flex, uma tecnologia inovadora, que permite o uso de etanol, gasolina ou a mistura dos combustíveis.

Os carros movidos a álcool no Brasil haviam sido impulsionados desde 1975, com a adoção do programa Proálcool. O objetivo do programa era frear os efeitos da segunda crise internacional do petróleo de 1973 no Brasil através da substituição dos carros movidos a gasolina pelos carros movidos a etanol. No entanto, os carros não tinham uma tecnologia confiável, por exemplo, em dias frios, o motor não ligava. Em 1989, houve também uma crise de abastecimento de álcool no país devido à queda dos preços de petróleo a nível internacional, desmotivando o uso de veículos a etanol. Em 2003, com a inovação dos motores flex, o carro movido a etanol ganha maior confiabilidade e é novamente projetado com ajuda do governo.

Durante o governo Lula, a indústria de cana-de-açúcar é incentivada a aumentar sua produção através de empréstimos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Além disso, os consumidores são incitados a comprar automóveis flex pela redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), com alíquotas menores para carros desse tipo.

Em 2004, é lançado o Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel, voltado para a produção de biodiesel vinculada a projetos de agricultura familiar. E, no ano seguinte, a Lei 11.097/2005 estabelece que o óleo diesel comercializado deve atingir em oito anos pelo menos 5% de biodiesel em sua composição.

Em março de 2007, o Fórum Internacional de Biocombustíveis é lançado na Organização das Nações Unidas. Brasil, Estados Unidos, União Europeia, China, Índia e África do Sul, os maiores produtores e consumidores de biocombustíveis no mundo, participam do Fórum. Nele, discute-se a possibilidade de transformar o etanol e o biodiesel em commodities com padrões e normas internacionais, passíveis de serem comercializados com uma coordenação internacional. Esses produtos são considerados produtos industriais pela Organização Mundial do Comércio, sendo sujeitos a limitações mais severas do que as commodities.

O Brasil comanda as discussões internacionais sobre o tema dos biocombustíveis e, internamente, a produção e a compra de etanol aumentam durante o governo Lula. Mais tarde, alguns fatores acabam levando a uma nova crise da indústria da cana-de-açúcar e a uma guinada de volta ao uso de combustíveis fósseis, a saber: a descoberta do pré-sal em 2006, a crise financeira de 2008 e o debate recorrente sobre a produção de etanol ocupar espaço da produção de alimentos, ameaçando a segurança alimentar.