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Iniciativas » Debates

A América Latina frente às transformações globais

/ auditório da Fundação FHC


Diante de um mundo repleto de incertezas políticas, sociais e econômicas, os países da América Latina devem ser capazes de enxergar além de estruturas e condicionamentos sociais arraigados e definir estratégias de desenvolvimento de médio e longo prazo, com o objetivo de assumir maior controle sobre seu presente e futuro, tanto em nível nacional como regional. Esta foi a mensagem transmitida pela maioria dos participantes da conferência "A América Latina frente às transformações globais: como navegar em águas turbulentas?", realizada pela Fundação FHC e a Corporación de Estudios para Latinoamerica (CIEPLAN), dois dos principais think tanks da América Latina.

“Política é ter uma hipótese para o futuro e saber jogar em função dessa hipótese. Tem de ter estratégia. Qual é a nossa (do Brasil e da América Latina)? Os países latino-americanos, de maneira geral, não têm estratégia clara. A Europa também não tem e está sofrendo com isso. Quem tem estratégia hoje são os chineses.”

Fernando Henrique Cardoso, sociólogo, professor e pesquisador, foi presidente do Brasil por dois mandatos (1995-2002)

“Se estivesse conosco hoje, o economista Albert Hirschman (1915-2012) resistiria à tentação de exagerarmos em conclusões pessimistas sobre o presente. Também não seria favorável a um otimismo irracional. Provavelmente diria que devemos ser ‘possibilistas’ e pensarmos de forma não automática para melhor compreender as relações entre a globalização, as formações sociais e as condições políticas.”

Jeremy Adelman, historiador, é professor da Universidade de Princeton (EUA) e autor da biografia “Worldly Philosopher: The Odyssey of Albert O. Hirschman” (2013)


A conferência — que reuniu intelectuais públicos (economistas, sociólogos e cientistas políticos) do Brasil, Chile, Argentina e EUA, entre outros países, durante dois dias — também lembrou os 50 anos da obra Dependência e Desenvolvimento na América Latina, escrita por Fernando Henrique Cardoso e Enzo Faletto (Chile, 1935-2003) em 1965/67 e publicada dois anos depois. Na época, os dois jovens sociólogos trabalhavam no Instituto Latino-Americano de Planejamento Econômico e Social, organização das Nações Unidas ligada à CEPAL, em Santiago do Chile.

Em sua fala de abertura, o ex-presidente FHC lembrou as circunstâncias históricas e pessoais que levaram à elaboração do livro, considerado um clássico da sociologia latino-americana: “A ideia predominante (nos círculos intelectuais latino-americanos nos anos 1960) era de que a América Latina vivia uma dependência crônica frente ao imperialismo norte-americano (que só poderia ser rompida por meio de um processo revolucionário). A nossa proposta foi mostrar que havia diferentes formas de ligação dos países da periferia com o centro do capitalismo, a depender do grau de desenvolvimento de cada mercado interno, e que essas diferentes formas abriam espaços para uma maior ou menor autonomia.”

Para FHC, “a disjuntiva não era submissão ou revolução; não tínhamos nem uma visão mecanicista (no sentido de as estruturas socioeconômicas determinarem a política e o sistema internacional definir o destino dos países) nem voluntarista (no sentido de as estruturas socioeconômicas não importarem). Reconhecíamos o peso das estruturas (a divisão internacional do trabalho, seus reflexos sobre a formação das classes sociais nos países da periferia etc.), mas apontávamos para o potencial criador da política.” 

        FHC: ‘Política depende de visão e liderança’ 

Dependência e Desenvolvimento buscou juntar a análise dos desequilíbrios estruturais das economias latino-americanas às ligações e embates dos grupos sociais e, portanto, falar da política que poderia resultar no predomínio de uns sobre outros. “No Brasil dos anos 1960, onde já havia uma indústria forte, assim como na Argentina e no México, ocorria algo novo pelo menos para nós: a crescente associação do empresariado nacional com o capital estrangeiro. Não tínhamos noção disso, mas naquele livro já estávamos descrevendo o começo da globalização. Um quarto de século se passou e, em 1994, fui eleito presidente, num momento em que a globalização já era um fato inquestionável. Toda a esquerda brasileira não mediu esforços para tachar meu governo de neoliberal, quando nossa visão era a de que ou o Brasil se integrava à economia global ou seria excluído do jogo do comércio internacional. Não adiantava defender o interesse nacional com base em premissas ultrapassadas”, disse FHC.

“Agora assistimos a outros movimentos, com destaque para a emergência da China, que em poucas décadas se transformou em parte fundamental do jogo internacional e começa a disputar a hegemonia global com os Estados Unidos. Quem vai vencer a batalha pelas tecnologias do futuro? Como a América Latina vai se posicionar nessa contenda de gigantes? Por enquanto, estamos jogando o jogo de maneira infantil, agarrando-nos a velhas ou novas ideias sem avaliar sua validade atual e suas consequências futuras”, continuou.

Fernando Henrique lembrou que os meios digitais potencializam a crise da democracia representativa e a fragmentação social: “Descartes dizia ‘penso, logo existo’. Hoje é ‘estou conectado, logo existo’. Qual a estratégia possível em um mundo em que o rumo não é definido sobretudo pelo poder político, como antigamente, mas cada vez mais pela tribos da internet? Sim, existem estruturas, mas existem movimentos também. Eles dependem da política, e a política depende de visão e liderança”, concluiu.

       Sorj: ‘Intelectual e político engajado’ 

“Dependência foi um livro muito importante para toda uma geração de sociólogos latino-americanos, pois introduziu a ideia da relevância da prática e das escolhas políticas, quando minha geração estava encapsulada seja na teoria marxista seja na teoria da modernização, que falavam de fases pré-estabelecidas. A história existia, mas era o campo onde aquelas teorias se realizavam. De forma não voluntarista, pois reconheciam a existência de infraestruturas que delimitam o campo de possibilidades, FHC e Faletto colocaram a política no centro do debate sobre desenvolvimento na América Latina”, disse o sociólogo Bernardo Sorj, nascido no Uruguai e naturalizado brasileiro, diretor do Centro Edelstein de Políticas Sociais (Rio de Janeiro), em comentário após a fala do ex-presidente.

“Cinquenta anos se passaram, parece pouco tempo, mas Brasil, América Latina e o mundo são outros, acabou a oposição capitalismo-comunismo, outras utopias foram por água abaixo e, nos países avançados, tendências autoritárias se misturam ao nacionalismo xenófobo, à misoginia e à religião, colocando em risco a democracia justamente no núcleo geopolítico democrático que foi um suporte importante para os regimes democráticos também em nossas terras”, lembrou.

“Há meio século, a questão na América Latina era como chegar lá (ao mundo desenvolvido), mas o lá entrou em parafuso no Ocidente e o eixo econômico e geopolítico se transfere rapidamente para a Ásia, que tem outros valores. Para onde nos dirigimos, em meio às desigualdades sociais e conflitos culturais que caracterizam nossa região? É importante que os intelectuais saiam de seus guetos e contribuam para a análise do momento complexo que atravessamos. Faletto e FHC fizeram isso ao longo de suas carreiras”, continuou.

“Assim como Hirschman, Fernando Henrique foi e continua sendo um intelectual engajado nos debates de seu tempo. Felizmente tivemos a sorte de também contar com suas realizações na política, em particular durante sua passagem pela Presidência (1995-2003). FHC encarna história e biografia de forma singular. É algo que devemos celebrar”, concluiu o sociólogo.

     Saiba mais:

     Iglesias e FHC: "América Latina não responde como unidade às turbulências do mundo.”

     Ricupero: ‘Novo paradigma pede novo livro’

“Há meio século, o pressuposto na América Latina era o de que o desenvolvimento ocorreria via industrialização e exportação de manufaturas para o mundo desenvolvido. O caminho não era equivocado, prova disso é que os asiáticos tiveram êxito”, disse o embaixador Rubens Ricupero, autor de “A Diplomacia na Construção do Brasil 1750-2016”.

“Entre as décadas de 1940 e 70, o Brasil teve 40 anos de crescimento real de até 7% ao ano. Multiplicamos nosso PIB por 15, e a renda per capita por cinco, enquanto a população do país aumentou três vezes. Estávamos no caminho, mas desde os anos 80 perdemos o ímpeto e, com exceção de alguns anos positivos, a média de crescimento nas últimas décadas tem sido inferior a 1%. Isso se deveu a contradições internas e escolhas equivocadas”, continuou o ex-ministro da Fazenda (Governo Itamar Franco).

“Hoje há indícios de que o paradigma da industrialização se esgotou e a ideia de que países em desenvolvimento possam se industrializar com mão-de-obra barata parece ultrapassada. Desde 2008 (crise financeira global), o comércio internacional vem perdendo a dinâmica que teve nos anos anteriores. EUA e outros países adotam medidas protecionistas e as novas tecnologias, em especial a robótica e a Inteligência Artificial, chegaram para estabelecer um novo paradigma. A obra de FHC e Faletto era totalmente válida na virada dos anos 60 e 70, mas agora talvez seja necessário escrever outro livro”, disse Ricupero.

      Zovatto: ‘Falta governança’  

“Na primeira década do Século 21, a América Latina cresceu em média 6% ao ano (em parte explicado pelo ‘boom das commodities’), mas nos últimos anos só despencamos e terminaremos 2019 com algo em torno de 0,5% de crescimento em média. Estamos crescendo quatro vezes menos do que o mundo e dez vezes menos que a Ásia. O maior problema continua sendo a baixa produtividade”, lembrou o argentino Daniel Zovatto, diretor regional do IDEA International. 

“Ao celebrarmos 40 anos da terceira onda democrática, a região enfrenta uma crise de lideranças e instituições e uma fadiga da política. Nossos governos são pouco transparentes, não modernizaram os instrumentos de gestão e não incorporaram os avanços da revolução 4.0. Não basta democracia, precisamos de boa governança”, disse.

      Marfan: ‘Não conheço país de classe média autoritário’

“O Plano Real (1994), cuja concepção e implementação contou com as colaborações essenciais de FHC e Ricupero, estabilizou a economia brasileira, teve impacto redistributivo e definiu regras fiscais de médio prazo. Ao fazer isso, colocou o Brasil em boa situação para aproveitar as oportunidades do Século 21. Entretanto, de uns anos para cá, a economia brasileira enfrenta problemas e, em boa medida, isso se deve à política. Por quê? O Brasil e outros países da região precisam superar o mau hábito de pensar apenas na disputa partidária e no período de duração dos mandatos presidenciais e começar a trabalhar em estratégias com prazos mais longos”, afirmou o economista chileno Manuel Marfan Lewis, ex-ministro das Finanças do Chile.

Segundo o diretor executivo do think tank chileno CIEPLAN, desde a redemocratização do Chile (1990) prevaleceu uma reflexão sobre erros históricos que o país andino não deveria mais cometer: “Países nunca partem do zero. O governo Allende (1970-73) não partiu do zero, a ditadura Pinochet (1973-1990) não partiu do zero e os governos pós-redemocratização também não. Então, o que deve continuar e o que deve mudar?”.

“Boa parte do êxito econômico chileno nas últimas décadas se explica porque fomos capazes de preservar conquistas do passado e criar maiorias amplas na sociedade e no Congresso, que se traduziram em estabilidade política e econômica. É verdade que ainda há pobreza no Chile, que, segundo novos critérios bastante exigentes, atinge cerca de 15% da população. Entretanto, tem surgido uma classe média, ainda precária, que se preocupa com o risco de desemprego, exige melhores salários, e tem demandas relacionadas a saúde, educação de seus filhos e aposentadoria digna”, continuou.

“A classe política chilena não tem se mostrado capaz de estabelecer um novo paradigma para um país que está se tornando classe média. Daí seu atual desprestígio. Não sei onde essa ‘sociedade empoderada’ nos levará, mas acredito que a resposta aos anseios da população está em mais democracia. Não conheço país de classe média que seja autoritário. Como uma China de classe média lidará com a falta de democracia na nova potência asiática?”, disse o chileno. O debate ocorreu poucos dias antes da atual onda de protestos no Chile.

      Gerchunoff: Elogio da ‘auto-subversão’

O historiador econômico argentino Pablo Gerchunoff, professor de honra da Universidade de Buenos Aires, comparou os desempenhos econômicos dos países latino-americanos e defendeu a importância de uma macroeconomia organizada como base do desenvolvimento: “Política fiscal anticíclica é para quem pode porque construiu as bases para tanto.” Para Gerchunoff, a Argentina, que iniciou o Século 20 como o país mais promissor da América Latina, perdeu o fio da história. Já o Brasil, que teve importantes avanços desde a redemocratização, precisa reencontrar o rumo rapidamente. 

“Frente a tantas incertezas dos novos tempos, só há uma recomendação possível e ela vem mais uma vez de Albert Hirschman: Estejamos permanentemente atentos para reavaliar nossos valores e padrões. Pratiquemos a auto-subversão ao criticar hoje o que fizemos ontem e amanhã o que pensamos hoje”, propôs.

        Adelman: ‘Bias for hope’

“Por que um jovem deveria ler Hirschman hoje?”, perguntou o historiador norte-americano Jeremy Adelman, professor da cátedra Henry Charles Lea e diretor do Global History Lab (Princeton University). “Hirschman foi um intelectual que vivia intensamente o universo das ideias, mas que se comprometeu com a noção de que as ideias pertencem ao mundo e de que existe uma relação estreita entre observação, análise e ação. Tinha a capacidade de encontrar esperança mesmo nos lugares e momentos mais improváveis e valorizar o possível”, afirmou o biógrafo do economista nascido em Berlim durante a Primeira Guerra Mundial. 

Hirschman viveu em diversos países, entre eles França, Itália, EUA e Colômbia (entre 1952 e 1956 morou e trabalhou em Bogotá e realizou pesquisas de campo no interior do país). Visitou diversos países latino-americanos, onde colaborou com renomados intelectuais. Morreu em 11 de dezembro de 2012, aos 97 anos, em New Jersey (EUA). “Ele se imaginava como um ‘possibilista’, não somente no sentido de estar atento às oportunidades, mas também de criar novas oportunidades. Defendia o que costumava chamar de bias for hope (viés de esperança, em português)”, disse. 

Ao final de sua fala, ilustrada por diversas imagens da vida de economista (ver seção Conteúdos Relacionados, à direita desta página), Adelman mostrou uma foto dele ao lado do recém-empossado presidente FHC, em 1º de janeiro de 1995 em Brasília. “A chegada de Fernando Henrique à Presidência do Brasil representou a fusão do conhecimento acadêmico à ação política com o objetivo de promover relevantes mudanças sociais e econômicas”, concluiu.

        Sola: O Plano Real e o conceito de ‘statecraft’ 

Para a cientista política Lourdes Sola, o conceito de possibilismo se aplica bem ao Plano Real, idealizado por um grupo de economistas sob a liderança do então ministro da Fazenda Fernando Henrique Cardoso em 1993 e colocado em prática no último ano do Governo Itamar Franco. 

“Desafiados a elaborar um plano para controlar a inflação, aquele grupo de economistas criou uma engenhosa inovação, a URV (Unidade Real de Valor, que possibilitou a desindexação progressiva da economia e a transição do antigo Cruzado para o novo Real sem recorrer a medidas bruscas e congelamento de preços). O papel de Fernando Henrique, que não é economista, mas sociólogo e político, foi o de explicar à população o passo a passo do plano e negociar com o Congresso as medidas necessárias para sua implementação. Nesse sentido, foi um bom exemplo do que Hirschman chamava de ‘statecraft’ (habilidade de governar um país, de acordo com o Dicionário de Cambridge). Sem liderança política, o Plano Real não teria tido o êxito que teve”, afirmou a professora e pesquisadora da USP.

        Amaral: ‘O pior dos mundos seria termos de escolher entre EUA e China’

Sérgio Amaral, que foi embaixador em Washington de 2016 a 2019, destacou, na primeira mesa do segundo dia de debates, que a América Latina já é palco da crescente disputa comercial e tecnológica entre EUA e China. “A Huawei (empresa chinesa que domina o 5G, futura geração de tecnologia móvel) já está presente em nossos países e deve se tornar dominante nos próximos anos. Pequim também quer estender o projeto One Belt, One Road (que prevê investimentos maciços em infraestrutura ao redor do mundo) para cá. E tem investido pesadamente nas áreas cultural, por meio dos Institutos Confúcio, e acadêmica, com milhares de brasileiros indo estudar na China. Os EUA vão aceitar essa ofensiva chinesa? O pior dos mundos seria termos de escolher um dos lados dessa disputa”, disse o diplomata.

Para o também embaixador Rubens Ricupero, as prioridades da agenda estratégica dos EUA definida pelo presidente Donald Trump não têm pontos de contato com os reais interesses da América Latina. “Rivalidade com a China pelo primeiro lugar na economia mundial e domínio das tecnologias do futuro, sanções contra Irã e Rússia, respaldo incondicional a Israel, retirada do Acordo de Paris, negação da mudança climática e combate ao multilateralismo. Nada disso trará benefícios à região”, afirmou. 

Para o ex-ministro do Meio Ambiente e da Amazônia Legal, a América Latina deve apostar na construção de soluções globais com base no multilateralismo, entre elas a luta contra o aquecimento global. “Esta é a questão mais relevante do presente e do futuro. Todos os temas que nos desafiam nos próximos anos e décadas dependem do sucesso de enfrentarmos coletivamente o desafio da mudança climática”, disse. Ainda segundo Ricupero, nossos países precisam superar a desigualdade social, por meio de crescimento econômico, políticas de distribuição de renda e igualdade de oportunidades, para que a democracia se consolide definitivamente na região.

      Leia também:

      Investimentos da China na América Latina e no Brasil: “Panda ou dragão?”

      ‘Caudilhismo’ e  ‘democracia de públicos’

“Na América Latina, os novos ‘caudilhos’, que podem ser tanto de direita como de esquerda, costumam lançar mão de diversas formas de mobilização popular, como plebiscitos e referendos, com o objetivo de enfraquecer o Estado de Direito e ampliar seu poder. Para pôr freio ao populismo, o caminho é o fortalecimento das instituições democráticas”, disse o advogado e cientista político Ignacio Walker, que foi ministro das Relações Exteriores do Chile. 

“Temos de nos acostumar com a ideia de que os partidos políticos já não terão a importância que tiveram no passado, pois perderam a capacidade de organizar as preferências dos eleitores e dar uma resposta às suas demandas. A realidade é que os resultados eleitorais serão cada vez mais voláteis, assim como o apoio aos governantes. Vivemos cada vez mais uma ‘democracia de públicos’”, disse a professora Maria Hermínia Tavares de Almeida, pesquisadora sênior do CEBRAP.

“Falou-se muito de Albert Hirschman hoje. Como ele, também creio que as dificuldades, por maiores que sejam, não podem nos paralisar. Somos latino-americanos, não gostamos de hierarquias rígidas, mas nossas sociedades têm força e encontram espaço para defender seus interesses. Não se trata apenas de ser otimista, mas cabe ao líder político ouvir a sociedade, definir rumos possíveis e avançar”, disse o ex-presidente FHC ao final da conferência. 

      Saiba como foi o debate:

      A visão de Moscou sobre as relações com a América Latina e o Brasil.

 

Otávio Dias, jornalista especializado em política e assuntos internacionais, foi correspondente da Folha em Londres e editor do site estadao.com.br. Atualmente é editor de conteúdo da Fundação FHC.

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