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Debates

Educação: Como Garantir a Eficiência do Ensino em Regiões Metropolitanas

/ auditório da Fundação FHC


O Ciclo: "As Grandes Cidades Brasileiras: Identificando Problemas, Buscando Soluções".

A Fundação Fernando Henrique Cardoso e a Fundação BRAVA se uniram para promover uma série de oito seminários com acadêmicos e gestores que vivenciam a formulação e implementação de políticas públicas metropolitanas, e assim promover discussões sobre desafios e soluções para as grandes cidades brasileiras.

A iniciativa busca contribuir para a qualidade do debate neste ano de eleições municipais. Além disso, pretende difundir exemplos, conhecimentos e inovações que melhorem a gestão pública nos próximos anos.

 Educação Pública: O Desafio de Assegurar o Aprendizado

Como assegurar que o aprendizado efetivamente ocorra? Esta pergunta aparentemente simples tem motivado muita pesquisa e debate em vários países. As respostas variam, mas todas apontam para a importância do bom professor. É preciso, portanto, identificá-los e apostar neles, disse Thomas Kane na abertura do seminário "Educação: Como Garantir a Eficiência em Regiões Metropolitanas”, realizado no dia 10 de julho.  Trata-se de um grande desafio para os sistemas públicos de ensino.

As pesquisas de Kane mostram que os bons professores se revelam em sala de aula e bem no início da vida profissional. Por isso, ele defende que os estágios probatórios devem ser utilizados para separar o joio do trigo. Os melhores deveriam permanecer e receber incentivos especiais para progredir na carreira do magistério. Para identificar os bons professores, Kane e sua equipe montaram um sistema de avaliação, que usa desde provas para medir o desempenho dos alunos até avaliações dos próprios estudantes sobre os professores.

Chamadas para comentar a palestra, Maria Helena Guimarães de Castro e Claudia Costin concordaram sobre a importância do período probatório. No Brasil, desperdiçaríamos esse momento. Em vez de servir para uma avaliação real e específica do professor, aqui ele é mero ritual burocrático. 

Maria Helena, no entanto, vê dificuldades na implantação do sistema de avaliação proposto pelo professor de Harvard. Referindo-se especialmente ao Estado de São Paulo, ela ressaltou duas dessas dificuldades: a disparidade de currículos entre escolas, o que torna difícil medir o aprendizado de conteúdos; e mudança constante de professores de uma escola a outra, tornando virtualmente impossível medir a qualidade individual dos professores com base no desempenho de seus alunos.

A ex-secretária de Educação do Estado de São Paulo afirmou que um sistema de avaliação como o proposto por Kane requer um sistema educacional mais uniforme  quanto ao currículo e com menor rotatividade de professores dentro de uma mesma escola.

Claudia Costin destacou que a Secretaria de Educação do Rio de Janeiro vem dando passos nessa direção. As escolas do município, por exemplo, estão adotando um currículo único, com conteúdos claramente fixados, organizados por bimestre.

Claudia e Maria Helena chamaram atenção, ainda, para a etapa anterior ao estágio probatório: a formação dos professores. Para as duas, as atuais faculdades de pedagogia não ensinam os professores a dar aulas, priorizando conhecimentos teóricos genéricos. O círculo vicioso seria reforçado por concursos públicos para o magistério com ênfase excessiva nesses conteúdos.

Além de melhor formação dos professores, maior padronização do currículo, etc, ambas insistiram na importância de vencer uma cultura avessa à ideia de avaliação, típica do magistério brasileiro. Mudar essa cultura exige dar legitimidade aos sistemas de avaliação, sobretudo entre os professores. Contra eles, advertiu Costin, ninguém muda a educação.

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