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Populismo e democracia: Ameaça ou corretivo?

/ auditório da Fundação FHC


“A maioria dos partidos europeus considerados populistas começaram como neoliberais, mas foram para a esquerda e se tornaram defensores de políticas sociais, o que foi ruim para os social-democratas, pois esses partidos ‘de direita’ são hoje os favoritos dos trabalhadores europeus”, disse Wolfgang Merkel, professor de Ciência Política na Humboldt University em Berlim, neste seminário na Fundação FHC. Segundo o diretor do programa de pesquisa “Democracia e Democratização” do Centro de Ciências Sociais WZB (Berlim), a política europeia hoje é marcada sobretudo por uma “nova clivagem”: de um lado, está o cosmopolitismo; de outro, o comunitarismo. 

“Os adeptos do cosmopolitismo são os vencedores do processo de globalização, ou seja, as elites econômicas, políticas e culturais e as classes médias urbanas com nível superior. São em geral favoráveis a fronteiras abertas, à transferência de parte da soberania nacional para organizações supranacionais, à universalidade dos direitos humanos. ‘Cidadãos globais, são ‘frequent flyers’ e se sentem bem em qualquer lugar do mundo. Já os adeptos do comunitarismo são os perdedores da globalização, têm nível educacional mais baixo, vivem em cidades de pequeno porte ou em zonas rurais, defendem o Estado-nação forte, querem fechar fronteiras e viver em sociedades mais homogêneas”, explicou.

Para o palestrante, os “populistas de direita representam uma ameaça à democracia não tanto no aspecto participativo, mas sim na dimensão do Estado de direito, dos direitos humanos, da inclusão e da sensibilidade em relação às minorias”.

“A polarização em si não é uma ameaça, pois se não houvesse divisões não precisaríamos de democracia. O problema é quando os diferentes grupos só reconhecem sua própria legitimidade e não vêem os outros como legítimos”, alertou Jan-Werner Mueller, professor de Ciência Política na Universidade de Princeton (EUA).

“Os populistas alegam que eles, e apenas eles, representam as pessoas de verdade, ou melhor, a maioria silenciosa. E acusam os outros de serem corruptos e desonestos. Já os tecnocratas batem na tecla de que só existe uma solução para os problemas econômicos e sociais e, portanto, não há nada a debater com seus adversários ‘populistas’”, disse o autor de “What is Populism?” (University of Pennsylvania Press, 2016).

“A democracia, no entanto, não vive nem em um extremo nem no outro, mas no meio do caminho. Reconhece a legitimidade dos diversos partidos e movimentos e aceita que democracia não tem tanto a ver com verdade, mas com o embate de diferentes opiniões”, concluiu Mueller.

    Saiba mais:

Transições democráticas: lições para enfrentar a ameaça do populismo

O lugar da América Latina em um mundo em transformação

Assista ao Diálogo na Web O que é ser populista hoje?, com Maria Hermínia Tavares de Almeida, Sergio Fausto e Joel Pinheiro da Fonseca.

Otávio Dias, jornalista especializado em política e assuntos internacionais, foi correspondente da Folha em Londres e editor do site estadao.com.br. Atualmente é editor de conteúdo da Fundação FHC. 

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