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Ameaças e oportunidades das novas tecnologias para o desenvolvimento e a democracia

/ auditório da Fundação FHC


Tecnologias emergentes como Inteligência Artificial terão inúmeros impactos positivos na economia, na erradicação da pobreza, na educação, na saúde, no meio ambiente e na mobilidade, mas podem resultar em uma série de “externalidades negativas”, como violações à liberdade e à privacidade, e aumentar exponencialmente o controle de Estados autoritários sobre seus cidadãos, tendência que deve se acelerar, inclusive em países democráticos.

“O que sociedades democráticas podem e devem fazer para preservar valores democráticos essenciais sem bloquear o progresso tecnológico?”, perguntou a norte-americana Lindsay Gorman, bacharel em Física (Princeton University) com mestrado em Física Aplicada (Stanford University), durante a palestra “Ameaças e oportunidades das novas tecnologias para o desenvolvimento e a democracia” na Fundação FHC. Apesar de bem jovem, Gorman já trabalhou na Casa Branca, no Senado dos EUA e na Academia Nacional de Ciências e, atualmente, é Fellow de tecnologias emergentes da Alliance for Securing Democracy e integrante do German Marshall Fund (GMF).

Especialista em temas como IA, cibersegurança e materiais quânticos, a palestrante disse que o mundo enfrenta quatro desafios éticos fundamentais relacionados às tecnologias emergentes, possibilitadas pela coleta e análise da imensa quantidade de dados em circulação nas redes, pelo uso de algoritmos e por novas tecnologias como reconhecimento facial e machine learning. Os desafios éticos (alguns deles estão transcritos em inglês) são: privacidade, ‘bias & fairness’, ‘transparência & accountability’ e machine decision making em áreas críticas. Para saber mais sobre esses desafios, assista ao vídeo completo da palestra.

Ainda segundo a palestrante, é necessário não somente regulamentar o uso dessas tecnologias em ascensão, criando um forte arcabouço moral e ético em torno delas, como combater violações de direitos humanos resultantes de seu uso inapropriado ou abusivo.

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         A crescente influência tecnológica da China

Gorman alertou que as formas de utilização dessas novas tecnologias terão impacto não apenas dentro de cada país mas na geopolítica mundial nos próximos anos e décadas. Como exemplo,  citou a China, que tem 200 milhões de câmeras de vigilância em operação e utiliza reconhecimento facial, IA e outras novidades para monitorar seus cidadãos dia e noite e, dessa maneira, evitar qualquer oposição mais consistente ao regime do Partido Comunista Chinês, que mantém o país sob rígido controle desde 1949. 

“O sistema de monitoramento facial 24 horas instalado em várias cidades chinesas possibilita que a polícia identifique qualquer pessoa em minutos. Um repórter da BBC, por exemplo, foi localizado no meio da multidão em apenas 7 minutos”, disse. Segundo a palestrante, a “tecnologia de vigilância cidadã made in China” já está sendo exportada para diversos países, com diferentes níveis de democracia, e 36 deles, inclusive o Brasil, já receberam treinamento em monitoramento da opinião pública pela internet recentemente. 

Essa crescente influência chinesa deve aumentar aumentar exponencialmente à medida que a tecnologia 5G (nova fronteira da telecomunicação móvel dominada pela empresa chinesa Huawei) se espalhar mundo afora”. “O 5G não diz respeito apenas a celulares e smartphones, mas a toda uma nova geração de aplicativos e funcionalidades”, afirmou.

Para a especialista, a relação de governos ou empresas de outros países com a China e suas empresas de tecnologia é inevitável e irreversível, mas é preciso elevar o nível de conscientização em relação a investimentos ou parcerias com governos (ou empresas) que não estejam 100% comprometidos com a democracia, o Estado de Direito e os direitos humanos. “Companhias, universidades e centros de pesquisa de países democráticos devem ter cuidado redobrado para não se envolver, ainda que inadvertidamente, em projetos que reforcem aspectos negativos das tecnologias emergentes”, disse.

Lindsay salientou que suas preocupações não se restringem apenas a sociedades sob regimes autoritários. “Todos os países, principalmente as democracias consolidadas, devem contribuir para  refletirmos melhor sobre esse novo problema e definirmos orientações para mitigá-lo”, concluiu.

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Otávio Dias, jornalista especializado em política e assuntos internacionais, foi correspondente da Folha em Londres e editor do site estadao.com.br. Atualmente é editor de conteúdo da Fundação FHC.

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